domingo, 11 de março de 2012

Minha visão da História.

Postado por Djessyka às 06:31 0 comentários
Guerra do Paraguai, 1864- 1870. 60 mil mortos por combate ou doenças.
Guerra da Secessão, 1861 e 1865. Total estimado de 970 mil pessoas mortas, onde 618 mil eram soldados.
Primeira Guerra mundial, 1914- 1918, Saldo aproximado de mais de 19 milhões de mortos, dos quais 5% eram civis.
Segunda Guerra Mundial, 1939- 1945. Setenta milhões de mortes.
Hiroshima e Nagasaki, 6 e 9 de agosto de 1945. 140 mil mortos em Hiroshima e 80 mil em Nagasaki, sem a inclusão de mortes posteriores devido à radiação.

É assim que se estuda História. Motivo, Causa, consequência, relação, data, e números. Foi assim que eu aprendi História. Foi assim que você aprendeu História. É assim que historiadores aprendem História.
Independente da superficialidade dos Positivistas esperando o desconhecido acontecer nas profundezas, para registrar na história sua visão de carvalho fixo ao chão, totalmente dependente de um documento oficial declarando um número de mortes. Ou de um Marxista explicando que as coisas mudaram porque a Luta de Classes prevaleceu.

Desculpem historiadores, desculpe Eric Hobsbawm. Mas quando ouço História e números, não é exatamente nos números que eu penso. Não consigo me concentrar nas causas e consequências.

Penso na Guerra do Paraguai como um civil que viu seu melhor amigo morrendo de cólera entre condições de higiene deploráveis, com os próprios pés apodrecendo, sem poder fazer nada para reanimá-lo. E enquanto ele via seu amigo definhar, lembrava dos passeios em família com sua mulher Eunice e a garotinha de pele morena e olhos grandes, que ele preferia não pensar no nome (que ele mesmo escolhera), pra que seu coração não doesse mais que seu estômago.
E a Guerra da Secessão, com União e Confederação desprovidos de um plano de recrutamento de soldados, vendo seus homens morrerem e forçando cidadãos brancos de dezoito a trinta e cinco anos, ou dezessete a cinquenta anos (no caso da Confederação) a lutarem, mas por serem ricos poderiam colocar homens humildes em seus lugares. Homens que sonhavam antes de tudo, foram colocados na guerra para morrer. Homens que estavam economizando dinheiro em baixo de seus colchões para tentar realizar um pequeno sonho de infância. E na sua mediocridade o governo pagava 13 dólares mensais, mais 42 dólares uma vez por ano como incentivo.

Quando o cara na frente da sala de aula me fala sobre a queda da Bastilha, a única coisa que eu consigo imaginar é um monte de gente simples tentando lutar por alguma coisa. Marceneiros com trabalhos por fazer, diaristas com suas articulações cansadas, operários descalços atirando pregos por falta de munição.

E dos números que você aprendeu a ver na Primeira guerra, desses números, quantos eram filhos de homens de bem que concertavam relógios, e tinham na parede da relojoaria uma Imagem de Jesus Cristo. Quantos gostavam de macarrão, quantos liam para seus filhos uma história antes de dormir, quantos ainda gostavam que suas mães lhes cortassem as unhas dos pés. Quem se importa? Quando todos eles estavam entrincheirados no meio de um gás tóxico que tornou a vida na trincheira mais miserável.
Soldados que, presos em uma trincheira criavam um vínculo de amizade e, de uma trincheira próxima à deles (poucos metros, diz-se) ouviam a conversa de soldados inimigos. Ouviam sobre quem eles havia deixado para trás, ouviam suas piadas, risadas, cantos, choros desesperados. E muitos se quer sabiam exatamente o motivo de estarem tentando matar homens que se pareciam tanto com eles. Quantos livros Positivistas ou Marxistas se preocupam em lembrar que quando o Natal estava por vir, os entrincheirados levantaram diversas tréguas e soldados britânicos, franceses e alemães resolveram se encontrar para celebrar o natal. Onde estava então o Nacionalismo implantado em suas cabeças? Completamente inconsistente. Certas fontes trazem a informação de que alguns soldados chegaram a trocar presentes (seus próprios pertences), e mostrar fotos de sua família para soldados inimigos, e também a montarem árvores de natal improvisadas. Cartazes com "Merry Christmas" começaram a aparecer, e quando de repente rolou uma bola de futebol, começaram uma partida com 60 jogadores em cada time! E dizem ainda que a vitória de 3x2 foi dos alemães. Placas de "Vocês não guerreiam, nós não guerreamos" Foram levantadas. O Meu sentimento estava lá.
Eles não queriam mais morrer. Essa era a hora! Hora de um daqueles homens, aquele filho do professor de Literatura que preparava as aulas antes de dormir, afinal ele era hábil com as palavras, talvez fosse mesmo esta a hora de ele subir em um banquinho e dizer palavras bonitas sobre fraternidade. E ali seria o fim da Guerra. Caro que não. A fiscalização aumentou. E na minha mente vejo homens de cabeças baixas, amando seus inimigos, mas voltando para o seu buraco com a intenção de matá-los. E ainda assim, escrevendo em seus diários palavras como "Live and let live" E fazendo menções de boa vizinhança.

O povo gosta dos números das guerras. Lindos números. Altos.
Lindo ver que já em 1945 isso não serviu de lição. E não contentes, o ataque virou nuclear. Particularmente não sei qual foi Little Boy e qual foi a Fat man, isso não me interessa. Eu não gosto de saber os motivos. Nenhum motivo é bom o suficiente pra se causar oitenta mil mortes de uma só vez quando Graham Bell já havia inventado o telefone há quase cem anos atrás. Oitenta mil mortes, um número como qualquer outro citado num livro de história. Quantos desses oitenta mil eram crianças? Quantas eram mulheres que faziam delícias na cozinha. Quantos jovens apaixonados ensaiavam uma maneira de contar isso a uma garota, quantas eram senhorinhas magras que caminhavam pela manhã. Quantas crianças esperavam ansiosas o ano seguinte para começarem a frequentar a escola? Quantas outras esperavam pelo seu aniversário pra ganhar um presente? Quantas mulheres esperavam o nascimento do seu primeiro filho para colocar-lhe o nome de Keitarou, só porque significava "Filho Abençoado".
Não sou anacrônica, não foi justo.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Para Luísa (não Luíza)

Postado por Djessyka às 07:12 1 comentários
Escuta Luísa, a canção que o Chico fez pra você.
Não pra Luíza que ele quer esquecer.
Rita fez as malas,
Levou com ela tudo que pudesse nascer.

Vai Luísa,
Ana está em Amsterdam,
Ocupada com tarefas por fazer.
E Angélica não passa do mesmo arranjo
Não há nenhum que Chico não deva conhecer.

Então vai Luísa,
Não te preocupas com Carolina,
Que deixou a rosa morrer.
Nem com Cecília,
Essa ele nunca há de ter.


Lígia não passou de uma ilusão, Luísa.
Lígia Nunca viu o sol nascendo, esconderam-se da brisa
E Tereza, pobre Tereza, sua tristeza sem solução.
E Beatriz, Ora, essa Chico não conhece não.

É por você Luísa,
que Chico "faz o palhaço e sai do tom"
Mas saiba Luísa, pequena Luísa,
Há por alguém um amor que dobra o teu.
Lia.

Venha junto, Luísa,

Mas é Na Ilha de Lia que Chico quer descansar.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Postado por Djessyka às 18:31 4 comentários
Não faz muito tempo que tomei esse gosto pela morte: Dois ou três meses, calculo.
Passo o dia esperando que ela venha me encontrar. Na rua qu'eu atravesso, no ônibus qu'eu entro.

Não posso e não quero explicar.

À grande maioria não devo absolutamente nada. Nem perdão. Perdão devo pedir de joelhos às pessoas que lutam todos os dias para que este não seja o último.

Eu não consigo entender o porquê disso tudo, mas meus olhos choram às vezes. Estão cansados.
Choram quando sou lançada de um lado a outro.
Por hora, me estendem as mãos, me acalmam e me protegem. Me sinto bem.
Outra, me empurram com as duas mãos e eu procuro desesperadamente uma distração. E o ciclo não tem fim: Proteção, empurrão, proteção, empurrão.

Nada me distrai por completo. Nem livros, nem crianças, nem Beatles, nem violão, nem filmes. Lixo. Tudo lixo incapaz de me acalmar por um minuto inteiro.

Já não me importo nem um pouco se vai ser indolor. O que me importa de verdade é acabar de uma vez por todas com o empurrão que vem depois da proteção. Não é culpa minha, eu amo sim, amo muito. Mas perdi o controle sobre as batidas do meu coração.

domingo, 24 de julho de 2011

Menininha ♥

Postado por Djessyka às 21:05 20 comentários



Ora força e coragem, um dia você foi medo.
Sei que já precisaste segurar a mão de alguém quando atravessaste a rua, e me peguei imaginando se já cobriste a cabeça por medo do escuro. Vê, menina engraçada, já tiveste medo quando teus primeiros dentinhos de leite começaram a cair? Sei que já acordaste no meio da noite com medo dos monstros de um pesadelo. Já olhaste em baixo da cama antes de dormir? Pra confirmar que nada morava lá.
Sei que as mãozinhas pequenas já procuraram lugar para apoiar-te, sei que já encheste os olhos pequenos com lágrimas.
Fui procurar teus medos porque ainda ontem pensei que não houvesse nenhum, mas não encontrei, te vi um emaranhado de coragem e força. Tive então que trocar meus olhos. Incrível. A menininha dos dentes de leite e do pensamento frágil está aí dentro de você.

Alguém pisoteou teu coração?
Me deixa explicar. Quando troquei de olhos pra ver-te melhor, me assustei. A menininha está encolhida. Você construiu uma cerca em volta dela, para que teus medos não saíssem de dentro de você. Então, vendo que o medo escaparia, colocaste a menininha em uma redoma de vidro. Ela chora.
Liberte a menininha, deixe que as lágrimas que ela tem nos olhos saiam pelos teus, me conte dos teus medos. Por favor, não deixa que uma só lágrima caia longe de mim. Não deixa que caiam no chão, o chão é frio e as lágrimas se machucam. Deixa que caiam em mim.

Quando parei pra conversar com a menininha, não ouvi direito a sua voz, por conta do vidro grosso que a envolvia, tudo fez sentido.
Fui eu. Eu quem pisoteei teu coração. Parei de ouvir sua própria voz e observei de bem longe suas lágrimas caírem. Deixei com que caíssem no chão.
Eu não quis. Mas minha voz não alcança mais os ouvidos da menininha, diga a ela que eu não quero mais que as suas lágrimas caiam no chão.

Vou continuar explicando. Se disseres isso a ela, não é como falar sozinha, é diferente. A menininha das lágrimas, dos medos e dos pavores é você mesma. É a parte sensível que completa teu coração. É assim que eu te vejo. Tua coragem me encoraja, mas a menininha dos medos derruba lágrimas constantemente. Ela é sensível, ela sabe que se suas lágrimas caírem em mim, eu posso ajudar. Ela sabe de tanta coisa. É dela que vem a confiança.
Ora, eu sou a mesma, deixa que ela saia de novo, aos pouquinhos. Primeiro a redoma, depois, quem sabe a cerca. Ela é pequena, mas ela sabe que tem que sair. Uma parte de você sabe disso, deixa que ela coloque o primeiro pézinho pra fora, e quando eu puder segurar-lhe a mão, ela vai entender que eu não quero que as lágrimas caiam longe de mim.

Ela confia em mim, só não esquece que ela ainda é você.


sexta-feira, 15 de julho de 2011

Postado por Djessyka às 07:17 7 comentários
Era a Cidade que Nunca Dorme
Brilhando bem diante dos meus olhos
Flocos de neve.

Cumprimentei-a

Caí no sono
na Cidade que Nunca Dorme.
Enquanto a cidade dançava,
Eu dormia.

Enquanto a cidade clamava
Eu dormia,

Enquanto a cidade rodopiava
Eu dormia

A cidade não fez silêncio,
Ela me queria dançando com ela,
Clamando com ela,
Rodopiando com ela.

Desculpe Cidade,
é que a cidade de onde eu vim, dorme.

Ressona e sonha.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Postado por Djessyka às 19:29 0 comentários
"Keep on Burning" against Giving up

keep trying, keep trying,
keep trying, keep trying,
keep tryin...
keep tryi,
keep try,
keep tr,
keep t,
keep...
kee,
ke...
k.

Fell asleep!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Lembranças

Postado por Djessyka às 19:32 2 comentários
Foi quando me vi higienizando as mãos pra entrar na uti e ouvindo meu pai pedir à enfermeiria pra que me colocasse uma máscara. "Não há perigo" Disse ela sorrindo com um sotaque latino.

Estava ele na primeira cama, seu corpo quase desligado parecia reclamar de desconforto. Meu pai passou a mão em minha cabeça e sussurou tentando desfarçar lágrimas. "Tá aí o vô" foi o mais próximo de uma frase que conseguiu dizer. Com os passos mais lentos que pude usar, aproximei.
O pulmão artificial que mantinha-lhe vivo fazia "plec fu, plec fu, plec, fu" sem parar. Lembro-me de olhar por algum tempo em seu peito e ver os mesmos adesivos que certa vez uma médica colou de brincadeira na minha mão quando eu tinha pouca idade. Nesses adesivos, pequenos grampos que os ligavam a tubos. Segui os tubos com os olhos para ver onde cada um terminava, um deles (o que mais me lembro) acabava em um vidro de oxigênio. Ainda olhando para o peito, lembro-me de ver datas do dia nos curativos. Acho que me lembro também que junto estava o nome da enfermeira que os havia refeito por último.

Plec fu, plec fu, plec fu.

Lembro-me do tubo que adentrava-lhe a boca ressecada. E agora tive coragem de olhar-lhe o rosto. Os olhos cerrados demais, tão pequenos que já não eram dele.
No fundo eu sabia que aquele rosto era o mesmo do sorriso da minha foto preferida. O coração, apesar de induzido a bater, era o mesmo que me amava. Tive que abaixar a cabeça e deixar que as lágrimas caíssem direto no chão, sem passar pelo meu rosto, eu não queria ser vista chorando aquela hora.

Plec, fu, plec fu, plec, fu.

Enquanto eu olhava para baixo, lembro-me vagamente de ter visto meu pai colocar a mão na cabeça de meu avô e fazer uma oração. O silêncio foi quebrado quando meu pai disse em voz alta: "Se Deus quiser, vamos sair dessa". Então, olhou pra mim dizendo que eu poderia conversar com ele se quisesse. Recordo de ter me dito que ele estava sem os aparelhos de ouvido, mas no coração, talvez nos ouvisse. Deixei passar seis ou sete minutos, acho que meu pai pensou que eu havia ignorado a possibilidade, mas eu só estava tomando coragem. Entre palavras trêmulas eu disse exatamente esta frase: "Oi vô, a gente quer você de volta, a gente já tá com saudades de você lá na sua casinha." Meu pai olhou pra ele esperando alguma reação. Parece a maior besteira do mundo, mas no fundo eu tenho certeza que meu pai esperou que ele reagisse ao ouvir minha voz.
Lembro pouco de uma mulher que ali trabalhava e falou algo sobre esperança. Sei que não consegui respondê-la quando ela fez perguntas sobre mim, porque o choro me estava na garganta e tive vergonha de chorar na sua frente. Deixei que meu pai respondesse em meu lugar. Pobre moça simpática, não fiz por querer.
Quando ela virou as costas, fui para o outro lado da cama, junto do meu pai. O tubo na boca ressecada me parecia pior deste lado.

Plec fu, plec fu, plec fu.

Lembro-me de, deste lado, prestar atenção nos batimentos cardíacos que apareciam na tela.
Tudo rodava na minha cabeça quando o médico finalmente chegou para falar com meu pai. Não prestei atenção na conversa. Continuei de costas olhando meu avô e ouvi palavras como "exames", "sinais", "pulmões" e "resultado"

Plec fu, plec fu, plec fu.

Era hora de ir. Hora de virar as costas e deixá-lo lá. Deixei meu pai despedir-se e então, em um instável emaranhado de lágrimas eu disse: " tchau vô"- E passei a mão em sua cabeça pela única vez naquele útimo dia em que o vi "vivo".

Quando deixei meu avô para trás naquele dia, tudo que eu quis foi um abraço da minha melhor amiga, um abraço longo que amenizasse o "Plec fu, plec fu" da minha cabeça.

Não sei se seria melhor ter feito minha vontade: Não tê-lo visto naquele estado.
No fundo posso até me orgulhar de lá ter entrado e feito a vontade do meu pai.
Mas eu sei que agora, quando quero lembrar de algum bom momento com meu velhinho preferido, tenho que antes passar por esta lembrança ruim, doída.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Postado por Djessyka às 15:19 3 comentários
Cansaço: Falta de forças causada por exercício demasiado ou por doença.

Ora amigo Aurélio, você, que define tudo, meu cansaço não parece este que você definiu. Meu cansaço é diferente. Acho que você é feliz, Aurélio. Você não conhece cansaço por derrotas. Sabe Aurélio, as pessoas falam que uma derrota só serve pra te deixar mais forte. Particularmente, já não acredito mais nelas. Não é meu corpo que cansa. Quem cansa é a alma, o espírito, o coração.
Já planejei, tracei linhas, dei meu melhor. Acho mesmo é que tenho que acostumar com isso. Seja lá quem olha por mim, seja Jesus, Krishna, Maomé, Canom, Isthar, Kali, Ísis ou qualquer outra coisa do tipo, seja lá quem for, acho que tem mais o que fazer.
Não há éter, não há gás hilariante, mas eu estou anestesiada. Anestesiada o suficiente pra tentar de novo. O anestésico que me circula nas veias é o torpor que me faz ir em frente. É medo dissolvido em sangue que o meu coração bombeia. É o medo que me deixa entorpecida, assim, e somente assim, sou empurrada para frente. Se o medo de mais uma derrota me faltar no sangue, eu descanso. Eu paro de tentar. A cada dia preciso me dar doses do mesmo medo pra conseguir, pra continuar vendo a mínima vontade tilintando.
Quando eu senti a derrota circulando dentro de mim, senti dor. Meu coração bombeia a derrota com raiva e me sinto mal.

Este cansaço qu'eu sinto está impregnado desde as entranhas. Devo ser um zumbi, o morto-vivo. Não sei se descanso. Quando fecho os olhos só tenho imagens de veias escuras no canto da visão a cada pulsação. É a embriaguez de cansaço. Ela faz com que meu cérebro mande imagens aleatórias e eu, entorpecida pelo medo, tento interpretá-las. Sem sucesso. É só meu cérebro balançando dentro do crânio como um badalar de sinos.

Vejo carros passando sem reparar em seus designs inovados, estalo os dedos com frequência, ouço Beatles, olho as crianças, tiro o tênis sem desamarrar os cadarços.
Sou só eu, vendo tudo passar sem forma ou consistência, tentando encontrar o oposto da derrota. Em verdade busco só isso: O oposto da derrota que se iguala à certeza de que ela não virá mais a correr em minhas veias. O dia em que meu coração bombeará alegrias ao invés de medos. Busco o oposto do cansaço que descança em minhas costas e não deixa mais meu coração amar em paz.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A olho nu

Postado por Djessyka às 19:15 1 comentários
Já acho natural passar despercebida.
Acho mesmo que eu sou invisível.
Não sou boa, não sou ruim. Sou só invisível.
Nós invisíveis somos mais ou menos felizes quando comparados às pessoas normais. Me arrisco dizer que a maioria de nós, na maior parte do tempo, até gosta de ser invisível. Nós também amamos, mas ninguém sente nosso amor. Acho que nossos sentimentos são invisíveis também. Não posso dizer ao certo se existem graus de invisibilidade, mas tudo me leva a crer que sim.
Já faz tempo que eu descobri que sou assim, invisível. Na verdade, a gente descobre enquanto pequena. As outras crianças não faziam questão de gostar de mim e vice-versa. Foi aí que comecei a perceber que ninguém me via. O problema é que nós invisíveis somos vistos por algum grupo de pessoas que adoram duas coisas que os invisíveis odeiam: fazer de conta e fazer perguntas. Eles fazem de conta que estão nos vendo. E eu odiava o faz de conta deles. As perguntas que me cercavam de todos os lados, questionando porque eu era assim. Minha mãe perguntava, a professora perguntava. Foi aí que comecei a gostar da invisibilidade, quando ela começou a ficar mais forte e eu a usava pra fugir dos questionamentos.
A partir daí eu entendia razoavelmente bem o porquê de as outras crianças só virem falar comigo quando eu levava em mãos um brinquedo legal. Já não cabe a mim culpá-las. Imagino que elas só podiam ver o brinquedo flutuando, mas não viam a mim.
Por volta dos meus oito ou nove anos, eu me dava tão bem sendo invisível, que resolvi nem tentar reverter a situação, e além do mais, Carolina gostava de mim. Carolina andava comigo por todos os cantos da casa inventando histórias. Eu adorava quando criava uma história interessante, que as vezes só vinha a terminar no outro dia. Mas é uma pena que Carolina não seja exatamente a amiga ideal, (não ideal quando me refiro às pessoas normais) afinal, Carolina era feita de plástico.
Mas como seres humanos relativamente normais, nós invisíveis também crescemos, e enquanto crescemos, não temos vontade de muita coisa, quem é invisível sabe. Mas apesar da pouca vontade, toda experiência nova que um invisível está prestes a ter, provenha ela de uma vontade, uma decisão ou uma escolha, por menos radical que seja, somos tomados por um imenso e incontrolável frio na barriga. Devem existir invisíveis que levam em frente essas decisões, mesmo com essa sensação estranha. Outros (a maioria, com quase certeza) desistem das decisões mais difíceis por puro medo do frio na barriga. Quanto a mim, sou uma "invisível meio termo", ora desisto por medo, ora levo decisões a diante, mas só quem é invisível sabe o quanto é difícil. Invisíveis também não gostam de mudanças, todos.
Quando criança é fácil lidar com isso. Posso até dizer que é bom. Quando eu ligava meu video game e sentava Carolina ao meu lado, não precisava mais pensar em nada, agora não. Claro que no fundo eu acho o máximo não ser vista por ninguém, mas agora a certeza que me leva a pensar assim já não é tanta. As vezes eu quero ser vista.
Tem um monte de invisíveis por aí, fingindo ser gente, eu vejo eles! Quanto mais eu vejo, mais fico certa de que nos falta a alma dos iluminados: Os que desenham em suas paredes, que têm uma banda, os jovens sorridentes, efusivos, bronzeados, que ganham carros e andam sorrindo sem motivos PORQUE SÃO VISTOS.
Só quem é invisível repara nessas coisas, nas pessoas que são abraçadas todo tempo porque são vistas, enquanto nós queremos apenas um abraço, mas não somos vistos. Ser invisível é basicamente ser um morto-vivo. Vivo porque, como todos os outros, carregamos sentimentos. E mortos porque ninguém te vê. Todos vão morrer, nós só vamos "morrer melhor", afinal, ninguém Olha pra gente.
Mesmo sendo mortos-vivos desimportantes, volto a bater na tecla que diz que somos lotados de sentimentos. Ora, como pode um invisível-vivo-morto ser lotado de sentimentos. Acho pouca graça.
E todos nós temos uma "mania viva-morta" de assumir culpas pelo que não fizemos. Ninguém entende. Não entendem porque se aproveitam pra fingir que de fato a culpa é nossa e nos fazem chorar. Mesmo não ligando mais pra essa atitude horrível das pessoas normais, nós choramos. E choramos porque isso nos deixa incomparavelmente tristes. Então, ficamos tão angustiados por dentro, que temos vontade de socar a parede com as próprias mãos. Mas não fazemos isso por sermos sensatos o suficiente pra saber que a parede irá reagir sobre nós com uma força de mesma intensidade.
É engraçado ver o mundo assim, de fora. É como se ele rodasse sem mim. É a certeza de que ele iria continuar girando maravilhosamente bem sem mim. Ele também giraria bem sem alguém normal, mas nós invisíveis, carregamos essa certeza conosco.
Lembro de tentar sair da invisibilidade algum ano da minha vida, e confesso ter ficado alegre quando achei que havia conseguido, mas foi tudo mentira. De onde eu estou, vejo que fiquei mais invisível do que nunca. O grande problema não é estar invisível, e sim, ser.
Vou continuar esperando que me vejam, por mais que seja quase impossível. Acho que nós invisíveis vamos ser assim pra sempre. Quem sabe algum outro invisível me tire daqui. Não sei se vou conseguir vê-lo, mas vou saber se ele for invisível também.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Linhas Pra uma amiga ♥

Postado por Djessyka às 11:38 0 comentários
Eu não sei o que você está pensando,
mas todo mundo sonha quando a noite cai,
Ora, se ao meu alcance foge compreender o que poderia então estampar num papel,
Como hei de entender qual é teu sonho quando a noite cai?

Ora, se a noite caiu, quanto valho eu,
valho eu pouco, ora, por não saber por hora então, que sonha,
Que sonha você,
Quando a noite cai?

Como ouso eu seguir pegadas de confiança,
Ora, como então ouso eu ingagar-lhe 'amiga'?
Afinal nem sei com que sonhas quando a noite cai.

Todo mundo sonha quando a noite cai,
Ora amiga, deixa que sonhem,
Só não vá embora,
Toque uma canção,
Ria de um chapéu,
Reclame de um acorde,
Me conte de um garoto,

Então me deixa dividir meus próprios sonhos contigo,
Mesmo não sabendo com que sonhas,

Quando a noite cai.

19/03/2011
 

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