quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Pedaços

Postado por Djessyka às 05:58 5 comentários

E de todos os lugares qu'eu passei pra chegar até aqui, os que mais me chamaram atenção foram os qu'eu estava sozinha. Não pelo medo que senti, nem pela covarde qu'eu fui, mas sim pelas coisas qu'eu mudei. Não no mundo, porque ele é grande demais. Mas em mim. E tantas vezes tirei meu chapéu pra pessoas que me ensinaram a lutar contra os meus pavores, mas os pavores eram meus. Tão meus que tive que aprender sozinha. Tão sozinha que o chapéu ninguém tirou pra mim.
Meus medos têm um ar, e o ar do medo é ruim. Ruim só depois qu'eu o transformo em medo, porque ele entra puro dentro de mim. E eu devolvo o mesmo ar que eu coloco pra dentro, com os mesmos medos, as mesmas angústias, os mesmos amores... E depois de pouco tempo, quando volta o ar puro, faço com que a pureza se transforme na mesma angústia, no mesmo medo, e aí, a transformação constante: Ar puro, angústia, ar puro, angústia, ar puro, angústia. Mais um passo, mais ar puro. E quando o medo vai perdendo a força, eu transformo o ar em alívio. O alívio é mais fácil, mais doce, mais leve. E já qu'eu continuo pendurando no varal meus momentos de solidão, digo que sorrir sozinha me faz bem, aí a vontade de dar passos é maior que a de ficar encolhida no mesmo lugar. Só lamento ser inegável meu medo constante do medo voltar.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Favourite Things.

Postado por Djessyka às 07:12 12 comentários

Gosto de ouvir o que as pessoas têm a dizer,
Gosto das atitudes das crianças,
Gosto da corda Sol do meu violão e daquela foto minha no 'Imagine' em Nova York. Gosto do som que faz a chaleira cheia quando bate no cantinho da pia, e também do barulho de pés correndo no molhado. Gosto de ver fotos dos meus amigos quando eram pequenos e gosto quando alguém joga video game comigo. Gosto do Ringo Starr e gosto quando meu pai toca Greensleeves.
Gosto daquela música que diz que há um lugar em que os problemas derretem como balas de limão. Gosto de ouvir 'eu te amo' e de desenhar arco-íris. Gosto do Cebolinha e de ver o sol nascer. Gosto da beira do mar, do cheiro de mel e de andar descalça na grama. Gosto do Chico Buarque e de quando alguém lê o que eu escrevo. Gosto de lápis de cor, de comer morango, de abrir o coração, de tesouras que cortam engraçado. Gosto de sorrisos, de cumplicidade e de pacotes de presente. Gosto quando tô esperando alguém e a campainha toca, gosto de dar presente, de correr na chuva, gosto quando me elogiam, quando me defendem, quando me protegem, quando os lápis de cor caem da caixa e fazem aquele barulho engraçado. Gosto que me mostrem onde eu erro. Gosto da voz das pessoas que eu amo, do cheiro delas e de all star colorido.

E agora, as coisas que eu gosto já estão passando mais rápido pela minha cabeça, passando a uma velocidade que me impede de escrever.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Dias atrás

Postado por Djessyka às 05:46 3 comentários

Prestei atenção quando Tom Jobim resolveu me dizer:
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar

Eu já tinha dito coisas que não deveria,
Mas eu fechei os olhos e ele continuou:
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E aí, meu pai, eu me arrependi e chorei
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida

Mas eu sabia que tudo ia ficar bem
o mais rápido possível
eu fechei os olhos e Tom me disse:
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou

E agora eu tive certeza que as vezes a
vida nos faz dizer coisas que é melhor
que fiquem guardadas dentro da gente
A vida arma,
Eu caio.
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida


Não importa o que eu disse,
Foi a vida que armou pra que eu dissesse
O que importa agora é te provar que

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida



quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

(des) confiar

Postado por Djessyka às 16:10 6 comentários
Eu costumava achar que tudo tinha jeito, que um sorriso podia de fato mudar meu dia. Costumava achar que existiam pessoas inteiramente boas e que alguém podia mesmo mudar o mundo sozinho. Achava que tristezas podiam ser consertadas com um abraço e que se você abrisse seu coração pra uma pessoa, ela iria prestar atenção em cada palavra que você diz. Tolice minha. Não dá pra sair pela rua remendando o mundo e confiando em todos. Um par de mãos não mudam um par de cabeças, um abraço não coloca no lugar as roldanas de um coração, pobres corações.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Lembranças

Postado por Djessyka às 17:13 3 comentários
Vestidinho com laço,
cabelos compridos.
Sapatinhos de fivela e expectativa.

arrancar sorrisos da garotinha mal humorada
Dedinho preso no cantinho da janela. E choro.
Gelo, colo. Sorrisos.

Coca cola no vestidinho novo.
copos de vidro verde.
Piano.

domingo, 19 de dezembro de 2010

E a cada dia que passou,

Postado por Djessyka às 06:23 7 comentários



Eu teria me esforçado mais pra gravar como foi exatamente cada momento,
mas eu ainda não sabia que tentaria revivê-los tantas vezes dias depois .

Onze anos não são onze dias. Devo muito a vocês pelo que eu sou hoje.



domingo, 12 de dezembro de 2010

vai, sol.

Postado por Djessyka às 14:53 9 comentários



Imagine o sol se pondo depois de um dia maravilhoso. Pense exatamente naquele momento em que a claridade ainda existe, mas você perde de vista o responsável por ela. O céu ainda não está escuro, mas a estrela gigante responsável pela luz sumiu do seu campo de visão.
A única certeza que você tem é que a escuridão vai chegando aos poucos, mas não sabe se amanhã vai ser tão maravilhoso como foi hoje.

Olhei em volta e meu sol eu não via mais. Ele resolveu brilhar pra alguém. Mais pra lá, bem longe de mim.

Vai, sol.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

vem criança,

Postado por Djessyka às 12:50 1 comentários



Vem, menina,
Vem, segura minha mão, eu sou a mesma ainda,
Fica aqui dentro de mim.
Eu quero ser você.


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

E, com vocês,

Postado por Djessyka às 12:22 2 comentários

Tudo que eu fiz,
E os segredos que guardei,
..................Eu faria de novo.
E as brigas que comecei,
E as vitórias que dividi,
..................Certamente dividiria de novo.
E as lágrimas que derrubei,
Poderia, quem sabe,
..................Derrubá-las de novo.
Cada passo que eu dei,
E os que recuei,
................Lá eu estaria,
................................De novo.

Nada se faz de novo,
.................Faz-se novo então.

Mas não soltem minha mão,
......................Ainda não.

sábado, 16 de outubro de 2010

Coisas que só eu entendo...

Postado por Djessyka às 22:24 4 comentários




Era janeiro. Não havia ninguém. As ondas quebravam com paciência como se agradecessem por mais aquele finalzinho de tarde. Penso que seria em vão já que elas trabalhariam durante a noite também...
Agora tinha uma menina.
Não sei exatamente o que ela estava tentando esconder, mas quanto mais ela tentava, mais claro ia ficando o quebra-cabeça daquele coração.

Tentei montar.

Enquanto eu me esforçava pra enxergar as peças através dos olhos frágeis da menina, ela me tirava certa dúvida que tive há um tempo atrás: Aprendi com ela que as pessoas que se importam com a gente de verdade podem ver tudo o que passa pela nossa cabeça- Mas elas enxergam através dos nossos olhos.
Volto pra menina.
Enquanto ela andava pela beira do mar, bem ali onde a água alcançava seus pés, dava quase pra vê-la em metades, na verdade, eu podia mesmo vê-la em metades.

Ela tinha olhos, mas estavam no chão.

Seu pensamento de repente cessou e ela apertou os olhos pra enxergar certa mancha que caminhava pela areia, em sua direção.
A menina preferiu fitar o chão quando a mancha decidiu tomar a forma de uma senhorinha, assim, ela não precisaria se quer cumprimentá-la. Friamente, calculou alguns passos até ter certeza de que estava longe o suficiente de ter que dar qualquer sorriso para a figura desconhecida, mas notou a frustração da tentativa quando sentiu os dedinhos leves da senhorinha em um de seus ombros. A menina não sorriu, mas a velhinha, com uma doçura indescritível, sorriu pelas duas.
Não sei dizer ao certo quem era aquela senhora, mas me parece que ela havia esperado por aquele encontro há anos. Seus olhos cansados contavam alguns pedacinhos de histórias incompletas. Não pude afirmar nada porque ela tinha muito mais escondido no coração.
A senhorinha olhou nos olhos da menina, derrubou algumas lágrimas e lhe entregou uma caixinha. A menina ameaçou um sorriso ao abrir o presente, agora ela parecia melhor. Fez questão de dar um sorriso completo e olhar nos olhos molhados da senhorinha. Não sei, mas o sorriso estampado no rosto da menina me deixava feliz. Sorri com ela.

Respirei fundo.
Notei que havia fechado os olhos por alguns minutos. E o sorriso desapareceu.
Ele nem tinha aparecido. Nada tinha aparecido:
A menina continuava triste fitando os próprios pés, não havia presente, não havia senhorinha. Havia apenas a menina, a menina de olhos baixos.
Continuei olhando pra ela, acompanhando seus passos e suas paradas.
Continuei montando e remontando o que os seus olhos desmontavam,

Olhei minhas mãos.

Nelas havia uma pequena caixa, da qual eu não fazia idéia do conteúdo. Não pensei duas vezes: Corri em direção a menina e coloquei a caixinha em suas mãos, ela deu aquele sorriso que eu tanto adorei minutos atrás, me abraçou e disse que voltaria assim que eu precisasse daquele presente.

Não perguntei. Eu não disse nada.
Esperei ela sumir no horizonte com a caixa nas mãos.
Eu não fazia idéia do que havia dentro dela,
mas a menina me disse que devolveria assim que eu precisasse.

Não sei porquê,
Mas eu confiei nela.

Eu confio nela.
 

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