quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Dias atrás

Postado por Djessyka às 05:46 3 comentários

Prestei atenção quando Tom Jobim resolveu me dizer:
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar

Eu já tinha dito coisas que não deveria,
Mas eu fechei os olhos e ele continuou:
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E aí, meu pai, eu me arrependi e chorei
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida

Mas eu sabia que tudo ia ficar bem
o mais rápido possível
eu fechei os olhos e Tom me disse:
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou

E agora eu tive certeza que as vezes a
vida nos faz dizer coisas que é melhor
que fiquem guardadas dentro da gente
A vida arma,
Eu caio.
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida


Não importa o que eu disse,
Foi a vida que armou pra que eu dissesse
O que importa agora é te provar que

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida



quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

(des) confiar

Postado por Djessyka às 16:10 6 comentários
Eu costumava achar que tudo tinha jeito, que um sorriso podia de fato mudar meu dia. Costumava achar que existiam pessoas inteiramente boas e que alguém podia mesmo mudar o mundo sozinho. Achava que tristezas podiam ser consertadas com um abraço e que se você abrisse seu coração pra uma pessoa, ela iria prestar atenção em cada palavra que você diz. Tolice minha. Não dá pra sair pela rua remendando o mundo e confiando em todos. Um par de mãos não mudam um par de cabeças, um abraço não coloca no lugar as roldanas de um coração, pobres corações.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Lembranças

Postado por Djessyka às 17:13 3 comentários
Vestidinho com laço,
cabelos compridos.
Sapatinhos de fivela e expectativa.

arrancar sorrisos da garotinha mal humorada
Dedinho preso no cantinho da janela. E choro.
Gelo, colo. Sorrisos.

Coca cola no vestidinho novo.
copos de vidro verde.
Piano.

domingo, 19 de dezembro de 2010

E a cada dia que passou,

Postado por Djessyka às 06:23 7 comentários



Eu teria me esforçado mais pra gravar como foi exatamente cada momento,
mas eu ainda não sabia que tentaria revivê-los tantas vezes dias depois .

Onze anos não são onze dias. Devo muito a vocês pelo que eu sou hoje.



domingo, 12 de dezembro de 2010

vai, sol.

Postado por Djessyka às 14:53 9 comentários



Imagine o sol se pondo depois de um dia maravilhoso. Pense exatamente naquele momento em que a claridade ainda existe, mas você perde de vista o responsável por ela. O céu ainda não está escuro, mas a estrela gigante responsável pela luz sumiu do seu campo de visão.
A única certeza que você tem é que a escuridão vai chegando aos poucos, mas não sabe se amanhã vai ser tão maravilhoso como foi hoje.

Olhei em volta e meu sol eu não via mais. Ele resolveu brilhar pra alguém. Mais pra lá, bem longe de mim.

Vai, sol.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

vem criança,

Postado por Djessyka às 12:50 1 comentários



Vem, menina,
Vem, segura minha mão, eu sou a mesma ainda,
Fica aqui dentro de mim.
Eu quero ser você.


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

E, com vocês,

Postado por Djessyka às 12:22 2 comentários

Tudo que eu fiz,
E os segredos que guardei,
..................Eu faria de novo.
E as brigas que comecei,
E as vitórias que dividi,
..................Certamente dividiria de novo.
E as lágrimas que derrubei,
Poderia, quem sabe,
..................Derrubá-las de novo.
Cada passo que eu dei,
E os que recuei,
................Lá eu estaria,
................................De novo.

Nada se faz de novo,
.................Faz-se novo então.

Mas não soltem minha mão,
......................Ainda não.

sábado, 16 de outubro de 2010

Coisas que só eu entendo...

Postado por Djessyka às 22:24 4 comentários




Era janeiro. Não havia ninguém. As ondas quebravam com paciência como se agradecessem por mais aquele finalzinho de tarde. Penso que seria em vão já que elas trabalhariam durante a noite também...
Agora tinha uma menina.
Não sei exatamente o que ela estava tentando esconder, mas quanto mais ela tentava, mais claro ia ficando o quebra-cabeça daquele coração.

Tentei montar.

Enquanto eu me esforçava pra enxergar as peças através dos olhos frágeis da menina, ela me tirava certa dúvida que tive há um tempo atrás: Aprendi com ela que as pessoas que se importam com a gente de verdade podem ver tudo o que passa pela nossa cabeça- Mas elas enxergam através dos nossos olhos.
Volto pra menina.
Enquanto ela andava pela beira do mar, bem ali onde a água alcançava seus pés, dava quase pra vê-la em metades, na verdade, eu podia mesmo vê-la em metades.

Ela tinha olhos, mas estavam no chão.

Seu pensamento de repente cessou e ela apertou os olhos pra enxergar certa mancha que caminhava pela areia, em sua direção.
A menina preferiu fitar o chão quando a mancha decidiu tomar a forma de uma senhorinha, assim, ela não precisaria se quer cumprimentá-la. Friamente, calculou alguns passos até ter certeza de que estava longe o suficiente de ter que dar qualquer sorriso para a figura desconhecida, mas notou a frustração da tentativa quando sentiu os dedinhos leves da senhorinha em um de seus ombros. A menina não sorriu, mas a velhinha, com uma doçura indescritível, sorriu pelas duas.
Não sei dizer ao certo quem era aquela senhora, mas me parece que ela havia esperado por aquele encontro há anos. Seus olhos cansados contavam alguns pedacinhos de histórias incompletas. Não pude afirmar nada porque ela tinha muito mais escondido no coração.
A senhorinha olhou nos olhos da menina, derrubou algumas lágrimas e lhe entregou uma caixinha. A menina ameaçou um sorriso ao abrir o presente, agora ela parecia melhor. Fez questão de dar um sorriso completo e olhar nos olhos molhados da senhorinha. Não sei, mas o sorriso estampado no rosto da menina me deixava feliz. Sorri com ela.

Respirei fundo.
Notei que havia fechado os olhos por alguns minutos. E o sorriso desapareceu.
Ele nem tinha aparecido. Nada tinha aparecido:
A menina continuava triste fitando os próprios pés, não havia presente, não havia senhorinha. Havia apenas a menina, a menina de olhos baixos.
Continuei olhando pra ela, acompanhando seus passos e suas paradas.
Continuei montando e remontando o que os seus olhos desmontavam,

Olhei minhas mãos.

Nelas havia uma pequena caixa, da qual eu não fazia idéia do conteúdo. Não pensei duas vezes: Corri em direção a menina e coloquei a caixinha em suas mãos, ela deu aquele sorriso que eu tanto adorei minutos atrás, me abraçou e disse que voltaria assim que eu precisasse daquele presente.

Não perguntei. Eu não disse nada.
Esperei ela sumir no horizonte com a caixa nas mãos.
Eu não fazia idéia do que havia dentro dela,
mas a menina me disse que devolveria assim que eu precisasse.

Não sei porquê,
Mas eu confiei nela.

Eu confio nela.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Postado por Djessyka às 18:54 3 comentários


Eu acordei deitada no nada, não sabia que horas eram, e nem o que eu fazia naquele lugar horrível. Olhei desesperada em volta e não conseguia colocar as coisas em ordem. O cheiro era cinza e a cor era fria. Minha casa não estava mais sobre a minha cabeça, de onde nunca deveria ter saído, aliás as casas não estavam mais lá. Só aquele galpão imenso na minha frente.
Todas as pessoas que eu mais amava entravam naquele lugar com bolsas pequenas, ninguém entrava feliz, mas todos faziam questão de estar la dentro.
Eu não podia ficar ali parada soluçando pra sempre um choro que não saía: Levantei e corri até a porta. Estavam mesmo todos lá, todos acomodados como podiam dentro de um trem.
Era incrível como o cinza lá de fora parecia claro quando comparado com a escuridão que estava dentro do galpão. Não importou a escuridão, eu reconheci cada rosto dentro daquele trem, eu enxergava mais e mais cada olhar que a escuridão tentava engolir.
Eu não sabia pra onde iam, mas entendi que não era bom quando notei os olhos que não encontravam um pingo de sentido naquilo tudo. Eu precisava ir também. Enxuguei as lágrimas que agora sim saiam descontroladamente e corri pra entrar naquele trem quando senti que uma mão me puxou pelos cabelos. Desequilibrei. Recebi um "Não" que doeu mais que qualquer tapa que tivesse levado. O homem que vestia preto não me deixou entrar no trem e eu tinha que ficar. Chorei, ajoelhei, implorei, e ele não disse nada, não se comoveu. Não cedeu.

O trem partiu sem mim.
Enquanto partia reconheci mais alguns olhares que eu amava.
Decidi correr pelos trilhos o máximo que eu podia,
perdi meus sapatos.

Não poderia parar, não ali, mas os trilhos estavam queimando meus pés descalços enquanto eu lutava pra não sentir nada daquilo. Eu tive que admitir,
Fiquei pra trás.

Lágrimas de desespero tornaram-se lágrimas de alívio num passe de mágica quando eu acordei de novo, dessa vez com a minha casa e tantas outras coisas exatamente onde deveriam estar.
Não fiz questão alguma de entender.
Ninguém vai a lugar algum.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Postado por Djessyka às 09:08 2 comentários




Acho qu'eu sou um rosto na multidão. Daqueles bem iguais.
Acho qu'eu sou só mais uma menina de calça jeans qu'escreve sobre revolução sem capacidade de mudar o próprio nome. Sou um número. Um RG. Um sobrenome.
Um sobrenome, sobrenome, sobrenome que se une com outro sobrenome, sobrenome, sobrenome, que pára de caminhar pra admirar... Um sobrenome.
Eu paro com o mundo pra elogiar um sobrenome que não é meu. Nem deles. É um RG que se destacou e ganhou milhares de RG's admiradores.
Eu tentei encontrar meu rosto no meio da multidão de rg's. Tentei enxergar e m'encontrar, eu queria ver se havia destaque, e não havia. Não havia mesmo.
Ah, se eu fosse bonita o suficiente poderia destacar meu sobrenome vestindo marcas famosas e andando nas passarelas com passos impecáveis lançando novidades pra quem quisesse aderí-las.
S'eu tivesse talento suficiente sairia esbanjando vozes e acordes pra quem quisesse ouví-los e repetí-los cantarolando por aí.
Ou quem sabe se eu fizesse cestas e gols me destacaria nas bandas de lá.
Se eu soubesse poderia pintar quadros e vendê-los por aí pelo mundo.
S'eu eu fosse um gênio poderia ter desenvolvido a cura pra doenças incuráveis e ter colocado meu sobrenome na fórmula curadora, que honra.
Acho que tudo isso não dá certo pros desajeitados, nem pros tortos, para os ansiosos, nem para os inseguros. Muito menos para os fracos.
Não me importo em enfrentar filas ou ser mais uma falsa revolucionária na multidão.
Eu ainda penso, ainda sinto, fraquejo. Choro, canto.

Ontem os famosos sobrenomes entraram em campo, fizeram um gol e levaram dois.
Voltaram pra casa e o Brasil abaixou a cabeça.

Mas as crianças "anônimas" continuam brincando aqui na rua de casa
entre sorrisos anônimos correm por aí. Não desapontam ninguém.


 

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