sexta-feira, 14 de maio de 2010

Pêssegos

Postado por Djessyka às 20:09 5 comentários
Tô chegando na bifurcação.
Os "sacudidores de palavras" estão sempre aqui e ali -
prontos pra lançar emaranhados de letras, como se fossem pêssegos.

Alguns pêssegos eu ignoro, e fico feliz em fazê-lo.
Eu sei que poderia pegá-los no ar,
e arremessá-los com toda força se não fosse tão desajeitada.
Algumas vezes eu consigo agarrá-los, mas por que eu arremessaria?

Tantos desses pêssegos arremessados sem dó já me acertaram em cheio.
Alguns te derrubam e te deixam com os joelhos ralados,
Outros podem te levantar do pior tombo da sua vida.
Tudo depende da maneira de como eles chegam a você.

Vou guardar os meus melhores pêssegos e entregá-los a vocês, amigos,
Por me defenderem e por me ajudarem a jogar os piores pêssegos naqueles que mereciam.
Mas vou cuidar pra não sair jogando pêssegos ruins em qualquer um.
Eles marcam pra sempre.

sábado, 17 de abril de 2010

Mulher

Postado por Djessyka às 11:39 7 comentários
Passei a entender pessoas discutindo política. Homens gordos que falam sobre Fundo Monetário Internacional e tomam cerveja na varanda, não falam mais grego enquanto eu arrasto minhas bonecas pela casa: Eu já sei traduzir tudo o que eles estão falando.
Posso entender quando a discussão é religião (mesmo sendo inviável). Aprendi que não preciso mais ter medo de passar no vestibular porque ninguém vai raspar minha cabeça.
Os amigos do meu pai não fingem mais que estão roubando meu nariz. Tô cada dia mais estranha, tô cada dia mais mulher.
Entendo piadas de adulto. Leio jornal, minto que gostei do presente, sento de pernas cruzadas. Engulo o riso.
Me falta pouca coisa pra terminar de ser mulher: Usar salto e comprar maquiagem, talvez. Eu poderia pintar as unhas de vermelho.

Sei que preciso abaixar a cabeça,
E aprender a disfarçar meus olhos quando enchem de lágrimas.
E assim que conseguir colar meus olhos no chão,
Virarei mulher.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Casa- coração

Postado por Djessyka às 13:22 13 comentários
Já ao entrar no portão de casa notei a grama por fazer. Digo por fazer, mas na verdade havia meses que ninguém fazia questão de cortá-la. Julgando com os olhos, a calçada que me levava até a porta de casa não era lavada a muito mais tempo: Tinham incontáveis pegadas de barro misturadas com a sujeira das rodas dos carros que ali estacionavam. A situação do carro na garagem era lamentável: Continuava fácil esboçar qualquer obra de arte na generosa camada de pó que o cobria por completo.

Pobres plantinhas, secas, sem um pingo d'água.

Entrei pela porta da cozinha onde montes e montes de louça suja descansavam sobre a pia, pedindo a piedade de quem passasse por ali. Haviam panelas engorduradas por toda parte. Na mesa, o resto do almoço de hoje misturava-se com alguma louça do almoço de ontem, que já não cabia mais naquela pia. Frutas podres gritavam por socorro enquanto mosquitinhos rodeavam e multiplicavam-se em sua podridão. Perdi a fome.

Resolvi descansar na sala até a hora de sair de novo. Ela fedia mofo. Quanto tempo fazia que não abríamos aquelas janelas? Me perdi nas contas. E quem ainda tinha feito o favor de comer na sala? Tropecei num copo.
Já não lembro mais o que tem nos quadros porque há quanto tempo não vejo aquelas luzes acesas. Os enfeites da estante... Cada um com seu significado... Cobertos de pó: Irreconhecíveis!

Claro que pelo corredor havia evidências de uma tentativa de limpeza: Um pano sujo largado em alguns cantos me mostrava isso, mas nem fiz questão de tirá-los de lá.

Desanimei.

Quando acendi a luz do meu quarto vi papéis por toda parte. A cama não é arrumada há dias, e minhas notas baixíssimas, todas beirando o zero, estavam jogadas algumas aqui, outras mais pra lá.
Na verdade, a bagunça das minhas coisas dentro do meu próprio quarto era o que mais me incomodava. Ao mesmo tempo, era onde eu tinha menos coragem de ameaçar a arrumação: Se eu tirar algo errado do lugar sozinha, arrisca ficar ainda mais errado. Sozinha não.
Sozinha, eu não tenho nem por onde começar.

Só cabia eu. Meu ego e eu.
Não tinha motivos pra arrumar já que ninguém olharia para dentro. Da minha casa, do meu quarto, de mim. Da casa-coração.


terça-feira, 6 de abril de 2010

Postado por Djessyka às 17:51 3 comentários
Nó

Dei um nó na minha cabeça, daqueles bem difíceis de desatar.

Se não dá pra desfazer o nó, vou continuar escrevendo com as idéias "enózadas".
Quanto mais nós desenterrar, mais difícil pra se entender. Não que estejam pra baixo da terra, mas se eu te emprestasse meus olhos por cinco minutos você poderia enxergar o mundo da mesma maneira que eu: Cheio de nós. Mas se eu fosse você, não tentaria desatar nenhum. Viso que é muito mais divertido enxergar o mundo assim, porque dá enxergar a beleza de um nó de sorrisos, misturada com nós de simplicidade, aí dá pra amarrar bem forte com outro nó. Quanto aos nós de sorrisos, eu posso amarrar um a um, de um jeito estranho, que não dá pra esquecer.
Dá pra desatar o nó da beleza do torto;
Da beleza do errado;
Da beleza do estranho;
Do que não sorri;
Amarrar todos com um único nó, e quando separá-los novamente cada um vai ter a beleza da própria essência. Acredite: Estamos vendo sentimentos de um jeito bem mais divertido. Agora eu te ajudo a amarrar tudo aquilo que você gosta, por mais que seja torto e estranho. Por mais que os outros te julguem errado. Por mais que eu te julgue errado. Seus nós têm sua própria forma. Enforque-me com um deles se precisar, mas você vai ter que desatar pelo menos um dos seus nós favoritos pra fazer isso. Nós que enforcam e revivem não viram mais você e eu. Nós. Apenas.

sábado, 27 de março de 2010

Interação social vs. Preconceito.

Postado por Djessyka às 14:32 2 comentários

Como domingo passado foi o dia Internacinal do reconhecimento de portadores de síndrome de Down, eu resolvi postar a idéia de um casal britânico, que tem minha total reprovação.

Um cirurgião plástico britânico, Lawrence Kirwan, e sua mulher tiveram uma filhinha portadora de síndrome de Down, que recebeu o nome Ophélia.
Quando a garotinha completou dois anos os pais decidiram que haveria uma cirurgia plástica quando a menina completasse dezoito. Eles justificaram dizendo que ela precisa "sentir-se mais aceita pela sociedade" e "aumentar sua auto-estima".
A idéia principal é diminuir a língua e modificar os olhos.

É preciso uma aparência "normal" para ser integrado socialmente?
A meu ver, isso não passa de pais com vergonha de exibir a própria filha em público.

Vaidade.

Espero que quando a pequena Ophelia completar dezoito anos, esses pais tenham aprendido tanto com ela a ponto de desistir dessa idéia.

sábado, 20 de março de 2010

Porta-Trecos

Postado por Djessyka às 15:50 5 comentários



Quando pequena, eu guardava joaninhas numa garrafa com vários furinhos pequenos para que não ficassem sem ar, pelo simples fato de achar tão lindos aqueles bichinhos coloridos, eu queria que fossem só meus. Guardar só pra mim virou mania. Meus desenhos preferidos também ficavam em uma caixinha, eu gostava tanto deles que queria tê-los pra sempre.

Ah, como era fácil guardar em potinhos, caixinhas e vidrinhos todas as coisas que eu mais gostava.
Agora, não preciso mais guardar joaninhas, desenhos, ursinhos ou bonecas. E amigos não cabem em caixinhas e em nenhum potinho com tampa.
Amigos não têm uma classificação geral sobre qual caixinha colocá-los por serem completamente diferentes.

Por mais que eu morra de vontade, eu não posso trancar vocês em um vidrinho e forçá-los a não fazer outros amigos, ou a seguir estradas que levem vocês pra longe de mim. Eu não posso impedí-los de morar fora do país porque não tenho como guardar seus sonhos num cofrinho com chave. O que eu posso fazer é desejar de todo coração que tudo o que vocês fizerem na vida dê certo!

Eu pude cuidar das joaninhas na garrafa. Quanto a nós, só a vida poderá dizer o que vem pela frente.

Eu amo vocês.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Trocar de Olhos

Postado por Djessyka às 13:26 8 comentários




A menininha vinha frequentando aulas de inglês há algum tempo. Eu nem sabia seu nome, mas já ouvira a pequena arriscando um inglês muito bonitinho. 
Com a tarefa concluída, a menina de no máximo oito anos não aguentou ficar parada, arrastou uma lousa e começou a desenhar.

Não demorou muito pra que ela fosse até mim e cochichasse: "What's your name?" Respondi, deixando a criança sem graça por não saber escrever. Fui até o quadrinho pra escrever meu nome e, a nossa turma, que não é grande, estava toda representada por bonecos de palitos com seus respectivos nomes, faltando o meu na última bonequinha. Acima dos bonequinhos dizia: "My Friends of the English Class" e embaixo, com letras garrafais "FRIENDS". Friends... Amigos! Eu tinha uma amiga e nem sabia!


Érica, esse era o nome da minha amiga. Ela via como amigos pessoas que encontrava duas vezes na semana. Eu quis saber o que ela pensava sobre as outras coisas, outros assuntos. Quis enxergar como criança. Talvez só trocando meus olhos. 

sexta-feira, 5 de março de 2010

Faça Seu Próprio Sonho

Postado por Djessyka às 15:09 1 comentários


"Se você quer salvar o Peru, vá salvar o Peru. É bem possível fazer alguma coisa, mas não dotá-lo de líderes ou parquímetros. Não espere que Jimmy Carter ou Ronald Reagan ou John Lennon ou Yoko Ono ou Bob Dylan ou Jesus Cristo venha e faça por você. Você tem de fazê-lo sozinho. É o que os grandes mestres têm dito desde que os tempos começaram. Eles podem apontar o caminho, deixar indicações e instruções em variados livros que são chamados de sagrados e venerados por suas capas, e não por aquilo que dizem, mas as instruções estão por aí para que todos as vejam. Sempre estiveram e sempre estarão. Não há nada de novo sob o sol. Todos os caminhos levam a Roma. E as pessoas não podem fazê-lo por você. Eu não posso te despertar. Você pode se despertar. Eu não posso te curar. Você pode se curar."
(John Lennon)

segunda-feira, 1 de março de 2010

2010

Postado por Djessyka às 08:49 1 comentários

Crianças paquistanesas escrevem "Paz 2010" na areia da praia de Clifton em Karachi.




 

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