Se um nome não tem rima,
Nem pobre, nem rica.
Faz da rima, milionária
Rimar o nome em poesia.
Não espero de um amor
Rimar meu nome em qualquer flor
Não faz rima... Nem pobre
Nome sem rima, pra qualquer amor.
Quase li o dicionário,
Sem querer pulei a página
Nela estavam as palavras
Dois vocábulos, três, ou mais.
Vem e conta só pra mim
Que tipo de Poesia
você escreveria
Se eu me chamasse Maria?
Quantas linhas só de amor
Renderia a folha em branco
Quantos versos eu teria
Se eu me chamasse Maria?
Blog Roll
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terça-feira, 3 de setembro de 2013
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Anjo Laura (Bertoni Zanchettin)
De longe não se via exatamente o que estava acontecendo. Me contentava com o vulto muito branco. Aparentemente, via-se uma criança por trás de uma mesa, brincando com alguns brinquedos. A névoa era branca, porém densa, eu estava tendo dificuldades para caminhar sobre todas aquelas nuvens. Andar sobre imensas almofadas feitas de ar era muito novo pra mim, pouco conseguia me equilibrar. A sensação se assemelhava a uma caminhada sobre gigantes pacotes d'água, colocados sobre balões instáveis e escorregadios. Tinha a impressão de que cairia a qualquer momento. Meus passos tortos não me deixavam chegar até a criança, que continuava a manusear objetos qu'eu jamais conseguiria identificar naquela imensidão branca. Depois de instantes observando a sombra da criança, notei que ela parou de manusear os brinquedos. Deitou a cabeça para o lado esquerdo, como se também começasse a me observar.
Notando minha confusão e preocupada com minha instabilidade para caminhar, disse novamente:
- Não tenha medo, também fiquei preocupada na primeira vez, mas aprendi que as nuvens jamais nos deixariam cair. Não tenha medo, reforçou.
Com a coragem oferecida pela criança, levantei, ainda preocupada e arrisquei alguns passos.
- Não tenha medo- Reforçou. - Belo cabelo, tão longo- Disse com uma voz inexplicavelmente doce.
Ao ouvir o elogio, parei. Ela estava me vendo com completa nitidez, e eu, apenas via um vulto extremamente branco.
- Não consigo ver você com essa precisão- Eu disse.
- Mas que cabeça a minha, havia me esquecido sobre você!- Ouvi da criança- Era uma menina, pelo pouco que pude decifrar.
Segundos após a frase, a imensidão tomou uma cor muito clara e iluminada. Tons de amarelo misturavam-se com incríveis tons de azul e verde. Pude ver, de repente, árvores imensas brotando das mesmas nuvens que estavam bem abaixo dos meus pés. Um riacho passava à minha esquerda e, distante, porém visível, o arco íris mais encantador que já havia se formado diante dos meus olhos. Passei alguns instantes admirando aquela maravilha, misturando imagens, sons e sensações, tentando não perder nenhum detalhe da cena mais inimaginável que já havia presenciado. Pontos de luz acendiam e apagavam sobre nossas cabeças constantemente, quis perguntar porquê, mas estava deslumbrada demais.
A criança parecia mais encantada com a minha reação do que com toda aquela maravilha. Ela soltava gargalhadas a cada flor que brotava do chão, mas sem tirar os olhos de mim. Agora eu enxergava a criança! Era linda! Pequena, com um ar extremamente infantil, e ao mesmo tempo um sorriso maduro e encantador. Pele branca, muito branca, com as maçãs do rosto tão rosadas e uma boca tão delicada quanto as flores que ainda desabrochavam à nossa volta. Os cabelos eram claros, muito claros. Era um tom louro que combinava perfeitamente com a pele da menina. A franja, extremamente reta, exatamente em cima das sobrancelhas. Fiquei confusa, uma vez que em meio a todo aquele Paraíso, ela não possuía asas. Era só uma menina. Não vestia uma roupa branca e comprida, apenas um vestido simples, cor de rosa, com mangas longas, pouco acima dos joelhos. O olhar doce ainda vigiava meus passos.
- Espero que possa me desculpar, esqueci que teríamos visitas hoje.- Disse a criança.
Apenas observei.
A menina então, veio até mim, andando pelas nuvens com uma desenvoltura impressionante, pegou minha mão, e com um sorriso indescritível, perguntou se poderia me ajudar. Aceitei sua ajuda e rimos um pouco com meus passos errados e indefinidos, mas em poucas horas, estávamos as duas correndo pelo Paraíso, pulando riachos, e nos divertindo com as águas que nos chegavam pelas canelas.
- Como se chama? -Perguntei.
- Laura- ouvi- Me chamo Laura.
- O que faz aqui, Laura?
- Faço o que gosto!
- Que tipo de brinquedos são aqueles que você brincava assim que cheguei?
- Não são brinquedos.
- O que são?
Sem dar atenção para minha pergunta final, Laura me puxou pela mão e, juntas, seguimos um belo caminho, contornado por tulipas avermelhadas, simetricamente dispostas. Os pontos de luz continuavam a piscar e as flores, surpreendentemente, continuavam a desabrochar. Distante, víamos alguns animais soltos: cães, cavalos, ovelhas...
- Tá vendo? São meus animais preferidos, ganhei todos assim que cheguei aqui. O cachorro branco, o maior, se chama Alfredo. E lá- Apontando- Lá é minha casa, vem cá!- Disse Laura.
Segui a menina, que abriu a porta. Sua casa era surpreendente. Havia flores por toda parte. Era branca, totalmente branca. Na entrada, os ramos contornavam a porta, com uma doçura que lembrava o próprio rosto da menina. As pequenas luzes piscavam até mesmo dentro de sua casa.
- Quem cuida de você, Laura?
- Deus- Respondeu.
- Onde Ele está? Não pudê vê-lo até agora- Falei desapontada.
- Ora, você está sendo injusta- Disse Laura- Olhe tudo a nossa volta. Veja as flores, o riacho, as árvores, os cães. Você viu aquele arco- íris, não viu? Viu aquelas cores? Viu os raios de sol que invadiram tudo por aqui? Como você pode dizer que não viu Deus? Deus está em tudo isso, está dentro de você e de mim. Ele está cuidando da gente agora, você não sente? Foi por isso que Ele me trouxe pra cá. Precisava de mim.
Olhei a minha volta, prestei atenção nas cores, no riacho, nas árvores, nas flores e fechei os olhos por alguns instantes.
- Sinto só paz, Laura.
- O que você acha que é Deus?
- Paz?
Foi quando fomos surpreendidas por um grupo imenso de crianças, para meu espanto, nenhuma vestida de branco. Cada uma vestindo uma cor diferente, algumas com mais de uma cor. Laura abriu um sorriso lindo ao vê-los e disse com empolgação:
- Espera só um pouquinho? É hora de brincar. Eu quero brincar!
Sorri para a menina, aprovando seu pedido, ela agradeceu e se misturou às outras crianças. Sentei no degrau da porta de Laura e observei as crianças brincando: ora com os cães, ora correndo, ora se escondendo, cantando, chutando a água do riacho umas nas outras. De vez em quando, ela diminuía os passos, desacelerando, para ver se eu ainda estava lá, virava a cabeça e m'entrgava um sorriso encantador. Não sei exatamente quanto tempo passei observando aquelas crianças, mas a cada sorriso, a cada gargalhada, eu sentia a paz que a menina havia me falado mais cedo.
Quando Laura voltou, estava ainda mais iluminada, as luzinhas piscavam incansavelmente a sua volta e as flores desabrochavam ainda mais. Eu estava curiosa, e resolvi perguntar:
- Laura, por que essas luzes piscam o tempo todo em volta de você?
- São as velas- Disse.
- Velas?
- As pessoas que me amaram muito, antes de eu precisar vir pra cá, agora acendem velas pra mim. Pra me iluminar. Cada vez que eles acendem, as luzes piscam. Ainda sou muito amada por lá.
- Então as flores... -Eu disse.
- As flores desabrocham por aqui, quando me deixam flores lá.- Sorriu ao olhar as violetas brotando. Vamos voltar lá? Quero te mostrar o que eu faço!
- Com aqueles brinquedos?- Perguntei
- Vem comigo- Ouvi.
Eu já não precisava mais seguir a menina, pois já sabia a direção. Dessa vez, fomos lado a lado. No caminho, me perguntou se eu estava sentindo paz. Respondi positivamente.
Estávamos chegando na mesa! A mesma mesa que a vi somente em vulto "brincando", sem saber explicar exatamente o que era. Laura se posicionou atrás da mesa e disse:
- Vê? Corações!
- Sim! Infelizmente, lá de onde a gente vem, muitas crianças precisam de corações novinhos pra continuar vivendo, mas não existe tantas pessoas assim para doá-los. Assim, preciso escolher as crianças que vão receber o coração. É uma tarefa muito difícil porque tem famílias que comemoram, mas outras podem chorar. Olha só, este coração,está novinho! Mas existe bem mais de uma criança esperando por ele. É isso que eu faço! Ajudo as crianças a receberem corações. Não pude receber meu coração novinho enquanto estava lá.
- Por que não recebeu?
- Precisavam de mim aqui.
- Quem cuidava de você lá?
- Meus pais. Eles sentem minha falta.
- Você sente falta deles?
- Sinto. Mas quando eu menos esperar eles vão aparecer por aqui.
- Existe algo que te entristece? - Perguntei.
- Infelizmente, em meio a todo esse Paraíso uma coisa me entristece.
- O que, Laura?
- Os inconformados.
- Inconformados...?
- Sim, existem pessoas que não me permitem realizar minhas missões com tranquilidade porque não se conformam. - Disse a menina sem perder a doçura.- E continuou: - Ficam lamentando porque não consegui meu coração novinho. Lamentam demais porque mães não quiseram oferecer-me os corações de seus filhos por manterem em seu leito a esperança da recuperação em uma quase morte. O que elas não entendem é que foi Deus quem me chamou, pois precisava de mim. Ele queria que eu ajudasse as crianças a receber os corações. Não gostaria que este tipo de lamentação existisse.
- Mas a doação de órgãos é essencial, Laura, se alguém tivesse tomado consciência disso antes de você...
- Não!- Disse Laura, me interrompendo- Não havia coração novinho pra mim porque Deus e as crianças precisavam de mim! A cultura e os costumes não podem ser feridos. Mas a principal missão deixei nas mãos dos que me amavam. Eles estão trabalhando na divulgação sobre a doação de órgãos: Eles fazem o trabalho deles lá, e eu, o meu, aqui. Mesmo com a separação que tivemos que aceitar, Deus me deu esta função para proporcionar que continuássemos trabalhando juntos! Percebe?
- Então você gosta daqui!
- Muito. Gosto de aparecer para as crianças durante a cirurgia. Passo horas brincando com elas para que se distraiam, sabia? Elas ficam assustadas com minhas asas no início, mas depois brincamos por horas até que se esqueçam que estão trocando de coração!
- Mas você não tem asas, Laura...
- Não tenho asas por aqui.. Mas preciso delas quando apareço para brincar com as crianças de lá, enquanto dormem durante a cirurgia.
- Então você é um anjo!
- Anjo Laura!- Respondeu sorrindo.
Ao ver aquele sorriso inimaginável, ajoelhei diante da menina e abri meus braços. Sem pensar duas vezes, Laura me abraçou, com braços tão leves quanto os passarinhos que voavam sobre nossas cabeças, depois segurou minhas mãos e, sorrindo, disse:
- Já está escurecendo, estamos nos esquecendo, vem, vem comigo.
Juntas, fomos até a casa dela, entrei em seu quartinho dessa vez: A cama era extremamente branca, acompanhando todos o resto do quarto. Havia bonecas, ursinhos e quebra-cabeças. Não me contive e resolvi perguntar:
- Por que tantos brinquedos se você é um anjo, Laura?
- Sou criança também! Ganhei todos esses brinquedos, brinco com todos.
Não me surpreendi, afinal, a menina, apesar de angelical, era infantil, brincalhona e muito bem humorada.
Notei também seu guarda-roupas, fiquei curiosa para saber o que havia lá dentro, mas resolvi não perguntar dessa vez. Para minha sorte, a menina foi diretamente neste móvel e abriu, procurando algo. As roupas não eram vestidos longos e brancos, como havia imaginado. Havia curtos e longos, azuis, rosas, amarelos. Havia saias, blusas de manga curta, longa, até mesmo calças! Todas as roupas tão delicadas quanto o vestido que ela já estava usando. Laura pegou uma caixa branca de tamanho médio e esboçou um belo sorriso.
- Está aqui!- Disse.
Sem entender exatamente, fui atrás da pequena. Saímos de sua casa e começamos a caminhar por uma estrada bonita que, aparentemente, nos levaria a algum lugar que eu não conhecera até então. Apesar da minha curiosidade sobre o conteúdo da caixa, novamente não perguntei. Começava a escurecer enquanto ainda caminhávamos pela estrada. Ouvi da menina:
- Gosta de cantar?
- Gosto!- Eu disse, sorrindo.
- Canta pra mim?- Disse Laura.
Assustada com o pedido, sem saber que música exatamente eu poderia cantar naquele local tão celestial, perguntei:
- Que música você quer ouvir?
- Qualquer uma que tenha meu nome.
Estranhei. Ela queria uma música que contivesse seu nome, mas eu desconhecia.
- Não conheço nenhuma música que cite seu nome, Laura.
- Então faz uma pra mim?
Sem reação, pensei em algumas palavras e tentei colocar um ritmo, mesmo sabendo que jamais conseguiria descrever um anjo em palavras tão tortas e descombinantes. Mesmo assim, tentei, catando:
- Por que não recebeu?
- Precisavam de mim aqui.
- Quem cuidava de você lá?
- Meus pais. Eles sentem minha falta.
- Você sente falta deles?
- Sinto. Mas quando eu menos esperar eles vão aparecer por aqui.
- Existe algo que te entristece? - Perguntei.
- Infelizmente, em meio a todo esse Paraíso uma coisa me entristece.
- O que, Laura?
- Os inconformados.
- Inconformados...?
- Sim, existem pessoas que não me permitem realizar minhas missões com tranquilidade porque não se conformam. - Disse a menina sem perder a doçura.- E continuou: - Ficam lamentando porque não consegui meu coração novinho. Lamentam demais porque mães não quiseram oferecer-me os corações de seus filhos por manterem em seu leito a esperança da recuperação em uma quase morte. O que elas não entendem é que foi Deus quem me chamou, pois precisava de mim. Ele queria que eu ajudasse as crianças a receber os corações. Não gostaria que este tipo de lamentação existisse.
- Mas a doação de órgãos é essencial, Laura, se alguém tivesse tomado consciência disso antes de você...
- Não!- Disse Laura, me interrompendo- Não havia coração novinho pra mim porque Deus e as crianças precisavam de mim! A cultura e os costumes não podem ser feridos. Mas a principal missão deixei nas mãos dos que me amavam. Eles estão trabalhando na divulgação sobre a doação de órgãos: Eles fazem o trabalho deles lá, e eu, o meu, aqui. Mesmo com a separação que tivemos que aceitar, Deus me deu esta função para proporcionar que continuássemos trabalhando juntos! Percebe?
- Então você gosta daqui!
- Muito. Gosto de aparecer para as crianças durante a cirurgia. Passo horas brincando com elas para que se distraiam, sabia? Elas ficam assustadas com minhas asas no início, mas depois brincamos por horas até que se esqueçam que estão trocando de coração!
- Mas você não tem asas, Laura...
- Não tenho asas por aqui.. Mas preciso delas quando apareço para brincar com as crianças de lá, enquanto dormem durante a cirurgia.
- Então você é um anjo!
- Anjo Laura!- Respondeu sorrindo.
Ao ver aquele sorriso inimaginável, ajoelhei diante da menina e abri meus braços. Sem pensar duas vezes, Laura me abraçou, com braços tão leves quanto os passarinhos que voavam sobre nossas cabeças, depois segurou minhas mãos e, sorrindo, disse:
- Já está escurecendo, estamos nos esquecendo, vem, vem comigo.
Juntas, fomos até a casa dela, entrei em seu quartinho dessa vez: A cama era extremamente branca, acompanhando todos o resto do quarto. Havia bonecas, ursinhos e quebra-cabeças. Não me contive e resolvi perguntar:
- Por que tantos brinquedos se você é um anjo, Laura?
- Sou criança também! Ganhei todos esses brinquedos, brinco com todos.
Não me surpreendi, afinal, a menina, apesar de angelical, era infantil, brincalhona e muito bem humorada.
Notei também seu guarda-roupas, fiquei curiosa para saber o que havia lá dentro, mas resolvi não perguntar dessa vez. Para minha sorte, a menina foi diretamente neste móvel e abriu, procurando algo. As roupas não eram vestidos longos e brancos, como havia imaginado. Havia curtos e longos, azuis, rosas, amarelos. Havia saias, blusas de manga curta, longa, até mesmo calças! Todas as roupas tão delicadas quanto o vestido que ela já estava usando. Laura pegou uma caixa branca de tamanho médio e esboçou um belo sorriso.
- Está aqui!- Disse.
Sem entender exatamente, fui atrás da pequena. Saímos de sua casa e começamos a caminhar por uma estrada bonita que, aparentemente, nos levaria a algum lugar que eu não conhecera até então. Apesar da minha curiosidade sobre o conteúdo da caixa, novamente não perguntei. Começava a escurecer enquanto ainda caminhávamos pela estrada. Ouvi da menina:
- Gosta de cantar?
- Gosto!- Eu disse, sorrindo.
- Canta pra mim?- Disse Laura.
Assustada com o pedido, sem saber que música exatamente eu poderia cantar naquele local tão celestial, perguntei:
- Que música você quer ouvir?
- Qualquer uma que tenha meu nome.
Estranhei. Ela queria uma música que contivesse seu nome, mas eu desconhecia.
- Não conheço nenhuma música que cite seu nome, Laura.
- Então faz uma pra mim?
Sem reação, pensei em algumas palavras e tentei colocar um ritmo, mesmo sabendo que jamais conseguiria descrever um anjo em palavras tão tortas e descombinantes. Mesmo assim, tentei, catando:
- Pra quem você tem um coração, Laura?
Seu coração bate por todos,
mas nem para todos você pode mandar um coração...
Pra quem você tem um coração, Laura?
A menina, que parou de caminhar por alguns instantes, levantou a cabeça e tentou me olhar nos olhos. Percebi seu esforço e me abaixei para que conseguisse. Olhando bem pra mim, ela disse:
- Promete que vai terminar essa música? Termina ela pra mim? Promete?
- Prometo!- Eu disse convicta, com um grande sorriso.
Laura me abraçou com força e agradeceu. Seguimos pelo caminho cantando juntas a única estrofe que eu compusera pra ela. Sua voz era tão doce que me inspirava para continuar a poesia musicalizada.
Quando me dei conta, estávamos nos aproximando de um gramado imenso, quase sem fim. Um campo gigantesco, completamente aberto, com milhares de balões coloridos flutuando à meia altura, e cataventos ainda mais coloridos, espetados no chão, rodando com o fraco vento que batia. Resolvi olhar em volta e... Não éramos as únicas! Para minha surpresa, milhares e milhares de outras crianças se aproximavam lentamente do campo, com caixinhas idênticas à de Laura nas mãos. Em poucos instantes, o campo foi completamente tomado pelas crianças: Algumas maiores, outras bem pequenas. Meninas, meninos, Brancas, loiras, morenas, negras. Uma cena maravilhosa. Porém, mais incrível foi quando Laura me pediu para que ajoelhasse ao seu lado, para que ficássemos da mesma altura. Ajoelhei e abracei a menina pela cintura, esperando pelo que iria acontecer.
Com muita doçura, cada criança foi abrindo sua caixinha: Não em perfeita sintonia, algumas abriram um pouco antes, outras um pouco depois, e, a cada caixinha aberta, uma pequena estrela começava a levantar. Iam subindo lentamente, se distanciando das crianças até alcançar uma altura estável. A majestade daquele ocorrido fez com que Laura impedisse uma pequena lágrima de escorrer em meu rosto. Anjo laura disse baixinho:
- Estou...- Eu disse- sem concluir a frase.
- Amanhã precisamos recolher as estrelas na caixinha.
Eu estava ansiosa para recolher a estrela quando acordei. Estava no meu próprio quarto. Fechei os olhos, tentei reencontrá-la sem sucesso. Tudo que eu via em minha mente era o rosto da menina. Sentia paz.
Foi quando percebi qu'eu estava segurando um pedaço de papel. Eu segurava com força. Trouxe o papel para perto dos meus olhos recém acordados e para minha surpresa, era um bilhete. A letra totalmente infantil, dizia:
Eu estava ansiosa para recolher a estrela quando acordei. Estava no meu próprio quarto. Fechei os olhos, tentei reencontrá-la sem sucesso. Tudo que eu via em minha mente era o rosto da menina. Sentia paz.
Foi quando percebi qu'eu estava segurando um pedaço de papel. Eu segurava com força. Trouxe o papel para perto dos meus olhos recém acordados e para minha surpresa, era um bilhete. A letra totalmente infantil, dizia:
"Existem crianças especiais. Nascem diferentes das outras. Nascem dotadas de tamanha pureza e inocência que Deus prefere preservar. Deus prefere removê-las do mundo antes que tomem conhecimento de qualquer perversão do ser humano, antes que entendam até onde o homem pode ir em sua podridão de espírito. Deus as retira do mundo por serem estranha e imensuravelmente inocentes."
domingo, 26 de maio de 2013
Agora sou Poeta
Agora sou Poeta, sim, sou poeta, no sentido mais amplo e literal da Palavra, sou Poeta.
Não porque escrevo em degraus, não sou poeta porque estou aprendendo a usar métrica poética, e, particularmente, acho desgastante toda essa coisa de versos milimetrados.
Não, não sou poeta por isso.
Não sou poeta porque sei usar paradoxo, também não sou poeta porque uso metáforas pra escrever história.
Não sou poeta porque aprendi a admirar a Lua e enxergar São Jorge em seus traços contínuos e tortuosos.
Não, não sou poeta porque os pés pueris correndo em piso molhado me soa musical.
Não, não sou poeta por isso.
Sou poeta, pelo motivo mais simples pelo qual se pode ser:
Sou poeta, porque perdi um amor.
É assim, quem perde um pai vira órfão,
quem perde a lucidez, vira louco,
quem perde as lágrimas vira insensível,
quem perde o grande amor... Vira Poeta.
Foi assim, foi assim que dormi comum e acordei Poeta.
quinta-feira, 28 de março de 2013
poema em degraus
Depois que você
sorriu
fiquei com
essa mania
bonita
de escrever
na vertical.
Poeta sei
que não sou
e essa pretensão
nem tenho
mas depois
que você sorriu
passei a transformar
palavras
em degraus
(agora sim)
com pretensão
de chegar até
você.
sorriu
fiquei com
essa mania
bonita
de escrever
na vertical.
Poeta sei
que não sou
e essa pretensão
nem tenho
mas depois
que você sorriu
passei a transformar
palavras
em degraus
(agora sim)
com pretensão
de chegar até
você.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
De que adianta abastecer o carro agora? Cortar as unhas, tirar fotos. De que adianta agora dar banho no cachorro, adoçar o café, escovar os dentes pela manhã? De que adianta limpar os vidros, recarregar o celular. Pra quê comprar roupas, desamarrar os cadarços, lavar o carro. Não adianta mais. Não adianta mais. As crianças da casa se foram. Depois de apresentar sintomas de catapora e deixá-lo preocupado, como se fosse a doença mais mortal do mundo. Depois de ganhar seu primeiro biquíni para ir a praia, depois de sorrir com apenas um pequeno dente na boca e você achar graça. De que adianta agora pregar um quadro na parede se o seu garoto se foi? Pra quem você vai plantar flores no jardim? Por que plantá-las, afinal, se a menina que aprendeu sozinha a ficar em pé em seu berço, se foi? Sabe quem se foi? O garoto que , como eu, colecionou cartinhas, que jogou Beyblade na escola. Se foi, a menina que, como eu, dançou na sala de casa. Pra quê encerar o chão? Não tem porquê. Suas crianças foram empilhadas no banheiro, suas crianças foram pisoteadas. Sua Ana, seu Vinícius, sua Amanda, sua Mariana, seu Rafael. Sofreram todos por não poder te avisar que iriam morrer.A vida não cuidou das suas crianças como você costumava cuidar. Sua Maria inalou fumaça até morrer, e, caída, recebeu pisões de outros. Alguns caíram por cima dela. Seu menino morreu no banheiro, de bruços. Sua criança se salvou! Mas achou que já era gente grande o suficiente, e voltou para o inferno para salvar os amigos. A culpa foi sua, você ensinou o valor da coragem e da amizade. As vidas que o seu moleque salvou antes de morrer eram mais valiosas que a dele? Duas por uma. Parece vantagem, não parece? Parece! Mas aquele era o Seu Menino. De que adianta revidar a fachada da casa? Se os cabelos louros da sua garota ainda estão presos na escova, não estão? De que adianta mexer nas gavetas que ela não gostava que você mexesse? Você descobriu agora, eram só as cartinhas dos primeiros namorados que ela guardava ali. De que adiantou descobrir? Não adiantou nada.
SANTA MARIA
27/01/2013
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
O Registrador de Nomes
Existe uma figura que eu nunca soube ao certo quem é. Sei que é má. Se o nome do seu filho não correspondeu exatamente ao esperado, tenho certeza que a culpa é dele. Vive atrás de uma mesa de madeira escura, é completamente careca, usa uma roupa preta. Possui uma estante com livros enfileirados e cheios de pó em suas costas. Ele jamais ouve duas vezes, jamais é corrigido, e, finalmente, nada volúvel em todos os aspectos. Talvez seja um pouco surdo. Você não é capaz de identificá-lo em uma multidão comum, não sei exatamente por qual motivo, na verdade, acho que ele vive mesmo atrás da mesa de madeira brilhante. Mas o pior de tudo: o velho rabugento faz com que milhares de crianças sejam chamadas somente por um único nome até o último dia de suas vidas. Quem já teve filhos pôde conhecê-lo pessoalmente. Sinceramente, não me sinto preparada para conhecer essa figura tão assustadora. É ele. Muito pior que o "Homem do Saco", o "Homem das Neves" ou "Pé Grande" e terrivelmente pior que o "Ermitão". É o "Homem do Cartório". O Homem do Cartório é basicamente um ser estranho pra mim. Confuso talvez. Quantos nomes "eram pra ser" mas o Homem do Cartório não deixou? E o pior: Quantos nomes foram falados de forma errônea e o Homem do Cartório nem se quer sugeriu uma correção? Ouviu de forma surda e abafada e assim registrou o nome que a criança levaria por toda sua existência. Estou certa de que na sua família alguém "era pra se chamar" mas o "Homem do Cartório" foi ineficiente. Mau. Ele foi mau. Ele ouviu e registrou. Ouviu e registrou. Ouviu e registrou. Ouvir, registrar. Ouvir. Registrar. Ouvir Registrar. Estou, na verdade, achando que o Homem do Cartório está cansado, afinal ele registrou seus bisavós, seus avós, seus pais... Alguns certos, outros errados, afinal, quem foi que criou essa profissão de Homem do Cartório? Acho mesmo é que cada um deveria registrar o nome do seu próprio filho, assim, em caso de erro, nenhum de nós poderíamos culpar o cansado e sozinho Homem.
Você já parou pra pensar que ele sabe o nome de todos nós? Se alguém, por acaso, chamar por você na rua e você não reconhecer nenhum rosto, tenho certeza que pode ser o Homem do Cartório, mas isso não acontece com frequência porque raramente ele sai de perto da sua estante de livros. Aliás, deve ser por isso que o chamamos Homem do Cartório: ele registrou todos nós, mas quem o registraria? Não havia ninguém lá para registrá-lo? Ele não pode registrar a si mesmo? Justo ele, que conhece tantos nomes bonitos, italianos, americanizados, curtos, compostos. Justo ele não pode ter um nome? Acho que por isso o pobre homem parece tão mau. Carrancudo, surdo. Rabugento. Ele faz com que cada um de nós tenha um nome próprio, e ele, sempre a registrar, só pôde ser chamado de Homem do Cartório.
Você já parou pra pensar que ele sabe o nome de todos nós? Se alguém, por acaso, chamar por você na rua e você não reconhecer nenhum rosto, tenho certeza que pode ser o Homem do Cartório, mas isso não acontece com frequência porque raramente ele sai de perto da sua estante de livros. Aliás, deve ser por isso que o chamamos Homem do Cartório: ele registrou todos nós, mas quem o registraria? Não havia ninguém lá para registrá-lo? Ele não pode registrar a si mesmo? Justo ele, que conhece tantos nomes bonitos, italianos, americanizados, curtos, compostos. Justo ele não pode ter um nome? Acho que por isso o pobre homem parece tão mau. Carrancudo, surdo. Rabugento. Ele faz com que cada um de nós tenha um nome próprio, e ele, sempre a registrar, só pôde ser chamado de Homem do Cartório.
A História de Kimy
Era um lagarto colorido. Akemi rodopiava pelas salas transformando clientes em crianças curiosas. Era o verdadeiro lagarto colorido e sua criança. Kimy, como era chamada pelo pai, transformava dores de cabeça, dores nas costas, problemas estomacais, renais e feridas abertas em curiosidade. Mesmo nascendo com a visão completamente prejudicada, Kimy conhecia cada pedaço das salas de acupuntura do pai e tinha um mapa perfeitamente desenhado em sua cabeça. Pelas macas, contornava com um desenho perfeito de suas mãozinhas e sentava em um espaço qualquer para espiar quem chegasse. Kimy espiava com os ouvidos. Ouvia vozes magras, gordas, bonitas, extravagantes e, de acordo com o timbre, a menina puxava um assunto diferente. Havia o senhor meio perturbado com um zunido frequente no ouvido para quem Akemi contava suas travessuras. A menina sentia o senhor esboçando sorrisos mas continuava a contar peripécias até ouvir um balbucio de risada bem definido, então saia correndo se esconder. Imprevisível como um lagarto colorido diante de uma criança.
Era incrível aos olhos da menina o quanto as pessoas pareciam melhorar quando ela contava-lhes uma história qualquer.
A mulher que sempre trazia chocolates tinha a voz tão doce quanto os mesmos. Quando a pequena Kimy ouvia sua voz, saía em disparada. Tinha a senhora com a voz tão engraçada que a menina imaginava sua casa cheia de cachorros, mas nunca perguntou se ela realmente os tinha, a resposta poderia ser negativa e Kimy poderia se decepcionar. As crianças doentinhas chegavam de vez em quando e, por estas, Kimy tinha um carinho especial: apoiava os bracinhos magros na maca, oferecia sua mão, e, em poucos segundos, sentia outra mãozinha na sua. Ela sabia que nem todas as crianças tinham tanta afinidade por agulhas como ela, afinal, quando a menina adoecia, o pai espetava-lhe agulhas e ela, com dor, sorria, pois o pai já havia lhe contado como as pessoas pareciam verdadeiros porcos-espinhos naquele momento.
Kimy esperava os dois melhores momentos do dia: as últimas agulhas tilintando na pequena bandeja. As agulhas tilintavam a todo momento. A cada cliente que ia embora, haviam agulhas a tilintar, pra você, pra mim e pra qualquer um que estivesse lá, os barulhos seriam exatamente iguais, mas jamais para Kimy, ela sabia exatamente quando a tilintada significava "almoço com o pai" e "hora de ir para casa". Sentia uma alegria quase inexplicável quando ouvia a última tilintada da manhã porque adorava sentar à mesa com o pai, mostrando que já podia comer sozinha. Kimy sentia-se revigorada para voltar e conversar com seus amigos. Ela sabia que sexta-fera encontraria a senhora Keiko, que iria lhe contar sobre seus netinhos.
Mas a melhor hora era a última tilintada. Quando as últimas agulhas tilintavam na bandeja, Kimy ajudava o pai com os lençóis e toalhas, e subiam os dois para casa e conversavam como dois adultos, brincavam como duas crianças, Kimy fazia de conta que espetava agulhas no pai, e estavam sempre os dois, sozinhos e sempre juntos, juntos sozinhos, pai e filha como se fossem um só.
Como fazia uma vez por semana, o pai de Kimy deixou a menina na casa da avó para limpar seu estabelecimento. Como sempre, comprou o doce de frutas preferido de Kimy, e, de trem, deixou a menina com a avó para realizar a limpeza. Kimy vestia sua melhor saia de pregas e limpava seus sapatinhos para a visita semanal. Levava um livro de histórias em baixo do braço para que a avó lesse um bom conto de fadas, afinal, Kimy contava histórias durante toda a semana, então, neste dia, gostava de adormecer ouvindo a voz da avó. A avó era brilhante ao descrever as figuras dos livros para Kimy, ninguém poderia explicar melhor como eram as nuvens, o céu, a Lua, as estrelas, e até as cores. Neste dia, a pequena Akemi só sentia falta de uma coisa: O tilintar das agulhas que a acalmavam e a colocavam em um estado de ânimo indescritível. Mas ela sabia que no dia seguinte, ouviria aquele tilintar, sabendo que ali estaria o pai, pronto para dedicar-lhe tempo.
***
Completamente destruído, o estabelecimento do pai, juntamente com a casa dos dois, levou o melhor amigo da menina. Foi a bomba. Kimy ouviu a avó falar baixinho. Ela não sabia, mas era 6 de agosto de 1945 e nunca mais voltaria a ouvir o tilintar das agulhas na bandeja. Se quer sabia se seus amigos doentes ainda estavam vivos. Se quer sabia onde morava agora. Akemi não conseguia lembrar do som das agulhas e por isso chorou. Estava agora cega dos ouvidos. O único lugar que ela conhecia exatamente como a palma de sua mão fora destruído por uma única bomba. Agora, e só agora sentiu-se cega de verdade. Agora, e somente agora sentiu-se sozinha de verdade.
A mulher que sempre trazia chocolates tinha a voz tão doce quanto os mesmos. Quando a pequena Kimy ouvia sua voz, saía em disparada. Tinha a senhora com a voz tão engraçada que a menina imaginava sua casa cheia de cachorros, mas nunca perguntou se ela realmente os tinha, a resposta poderia ser negativa e Kimy poderia se decepcionar. As crianças doentinhas chegavam de vez em quando e, por estas, Kimy tinha um carinho especial: apoiava os bracinhos magros na maca, oferecia sua mão, e, em poucos segundos, sentia outra mãozinha na sua. Ela sabia que nem todas as crianças tinham tanta afinidade por agulhas como ela, afinal, quando a menina adoecia, o pai espetava-lhe agulhas e ela, com dor, sorria, pois o pai já havia lhe contado como as pessoas pareciam verdadeiros porcos-espinhos naquele momento.
Kimy esperava os dois melhores momentos do dia: as últimas agulhas tilintando na pequena bandeja. As agulhas tilintavam a todo momento. A cada cliente que ia embora, haviam agulhas a tilintar, pra você, pra mim e pra qualquer um que estivesse lá, os barulhos seriam exatamente iguais, mas jamais para Kimy, ela sabia exatamente quando a tilintada significava "almoço com o pai" e "hora de ir para casa". Sentia uma alegria quase inexplicável quando ouvia a última tilintada da manhã porque adorava sentar à mesa com o pai, mostrando que já podia comer sozinha. Kimy sentia-se revigorada para voltar e conversar com seus amigos. Ela sabia que sexta-fera encontraria a senhora Keiko, que iria lhe contar sobre seus netinhos.
Mas a melhor hora era a última tilintada. Quando as últimas agulhas tilintavam na bandeja, Kimy ajudava o pai com os lençóis e toalhas, e subiam os dois para casa e conversavam como dois adultos, brincavam como duas crianças, Kimy fazia de conta que espetava agulhas no pai, e estavam sempre os dois, sozinhos e sempre juntos, juntos sozinhos, pai e filha como se fossem um só.
Como fazia uma vez por semana, o pai de Kimy deixou a menina na casa da avó para limpar seu estabelecimento. Como sempre, comprou o doce de frutas preferido de Kimy, e, de trem, deixou a menina com a avó para realizar a limpeza. Kimy vestia sua melhor saia de pregas e limpava seus sapatinhos para a visita semanal. Levava um livro de histórias em baixo do braço para que a avó lesse um bom conto de fadas, afinal, Kimy contava histórias durante toda a semana, então, neste dia, gostava de adormecer ouvindo a voz da avó. A avó era brilhante ao descrever as figuras dos livros para Kimy, ninguém poderia explicar melhor como eram as nuvens, o céu, a Lua, as estrelas, e até as cores. Neste dia, a pequena Akemi só sentia falta de uma coisa: O tilintar das agulhas que a acalmavam e a colocavam em um estado de ânimo indescritível. Mas ela sabia que no dia seguinte, ouviria aquele tilintar, sabendo que ali estaria o pai, pronto para dedicar-lhe tempo.
***
Completamente destruído, o estabelecimento do pai, juntamente com a casa dos dois, levou o melhor amigo da menina. Foi a bomba. Kimy ouviu a avó falar baixinho. Ela não sabia, mas era 6 de agosto de 1945 e nunca mais voltaria a ouvir o tilintar das agulhas na bandeja. Se quer sabia se seus amigos doentes ainda estavam vivos. Se quer sabia onde morava agora. Akemi não conseguia lembrar do som das agulhas e por isso chorou. Estava agora cega dos ouvidos. O único lugar que ela conhecia exatamente como a palma de sua mão fora destruído por uma única bomba. Agora, e só agora sentiu-se cega de verdade. Agora, e somente agora sentiu-se sozinha de verdade.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Poema Infinito.
Quisera eu saber escrever
Assim como tem um amor seu auge em uma Poesia,
Uma poesia de Amor,
Mas não qualquer
Poesia de Amor.
Uma que fosse composta com quantas linhas tantas é composto
. [o infinito.
. [o infinito.
Assim como tem um amor seu auge em uma Poesia,
passaria quantos infinitos fossem lendo uma mera linda estrofe
Não tão bonita quanto os olhos que a ela ouvem.
Porque os olhos ouvem.
porque os olhos só ouvem quando os sentidos se embaralham na
. [plenitude de uma ameaça de infinito.
E se,
Minha poesia sem fim fosse,
Não haveria eu ter que perder um amor assim,
Infinito.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Linhas para teus Olhos
Meu pensamento de menina segurava-se em uma fina corda, cambaleando da embriaguez proveniente de uma beleza já admirada, tentava não prestar atenção em tamanha delicadeza. E rodava em torno de uma pele branca nunca vista de tal maneira. Enquanto isso, a corda reduzia-se a fino barbante de pouca tensão, e possivelmente eu cairia. Neste exato momento em que meu coração batia aceleradamente apaixonado, você olhou-me ao falar. A corda não arrebentou. Eu soltei-a. Soltei o fino barbante de pouca tensão porque eu de fato quis cair, só pra ver onde eu iria parar. Notei que caía diretamente dentro do maravilhoso castanho dos teus olhos, e eles me remetiam a uma cena que só não beirava a perfeição por estar completamente inserida nela.
Eu já estava dentro dos seus olhos castanhos quando meu amor foi completamente entregue. Meu amor segurou suas mãos como nunca houvera segurado outras. Não era posse porque quis ceder a mim como retribuição da oportunidade de viver aquele momento. Foi a
partir daquele momento que eu passei a viver dentro dos teus olhos.
domingo, 10 de junho de 2012
Jhon vai ao Soccer
Oito anos.
O texano, convencido pelo pai, aceitou um convite: Assistir ao jogo da Seleção brasileira. Os argumentos paternos envolviam palavras como Seleção, Brasil, Goleada.
Jhon sentou-se para ver o jogo, cachorro quente em uma mão, coca-cola na outra. Estava distraído quando ouviu o primeiro gol. Tanto faz. Não entendeu muito bem porque aquele gol não valeu nada. Jogo estranho. Quem é que inventou de fazer só dois tempos de quarenta e cinco minutos cada um? Lamentável, só poderia levantar dali uma vez pra comprar outro cachorro quente.
De tédio, olhava para os dedos das mãos quando ouviu um grito de gol mexicano, olhou para o pai que não lhe retornou o olhar. Quando ouviu o segundo gol estava com fome. O jogo parecia interminável.
Pai e garoto não disseram uma palavra sobre o desastre.
O primeiro jogo da temporada vai ser Giants e Cowboys. Can't wait - disse ao virar as costas.
O texano, convencido pelo pai, aceitou um convite: Assistir ao jogo da Seleção brasileira. Os argumentos paternos envolviam palavras como Seleção, Brasil, Goleada.
Jhon sentou-se para ver o jogo, cachorro quente em uma mão, coca-cola na outra. Estava distraído quando ouviu o primeiro gol. Tanto faz. Não entendeu muito bem porque aquele gol não valeu nada. Jogo estranho. Quem é que inventou de fazer só dois tempos de quarenta e cinco minutos cada um? Lamentável, só poderia levantar dali uma vez pra comprar outro cachorro quente.
De tédio, olhava para os dedos das mãos quando ouviu um grito de gol mexicano, olhou para o pai que não lhe retornou o olhar. Quando ouviu o segundo gol estava com fome. O jogo parecia interminável.
Pai e garoto não disseram uma palavra sobre o desastre.
O primeiro jogo da temporada vai ser Giants e Cowboys. Can't wait - disse ao virar as costas.
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